Governo quer lei de protesto sem veto a bala de borracha
O governo federal vai enviar ao Congresso Nacional, em regime de urgĂȘncia, um projeto de lei para tratar do direito Ă  liberdade de manifestação e para estabelecer sançÔes para casos de vandalismo, lesĂŁo corporal e homicĂ­dio. O texto nĂŁo deve prever veto ao uso de balas de borracha para conter excesso nas manifestaçÔes, que deverĂŁo ser anunciadas previamente. A restrição aos mascarados, porĂ©m, ainda Ă© polĂȘmica. Os pontos principais foram discutidos ontem e anteontem em Aracaju, pelo ministro da Justiça, JosĂ© Eduardo Cardozo, durante a reuniĂŁo do ColĂ©gio Nacional de SecretĂĄrios de Segurança PĂșblica de todo PaĂ­s. Ele acredita que o texto estarĂĄ pronto para ser enviado ao Congresso na prĂłxima semana. "Dessa forma, vamos garantir a segurança do cidadĂŁo que participa e dos profissionais que ali atuam, como os jornalistas. Atos de vandalismo sĂŁo inaceitĂĄveis, pois acabam atingindo pessoas, causando lesĂ”es e mortes, como nĂłs vimos, lamentavelmente, no caso do cinegrafista", disse o ministro, em referĂȘncia a Santiago IlĂ­dio Andrade, atingindo por um rojĂŁo em protesto no Rio. Com relação ao projeto de lei, Cardozo tem reservas sobre a proposta de punir ou tipificar como crime o uso de mĂĄscaras nas manifestaçÔes. Uma possibilidade em discussĂŁo Ă© garantir Ă  polĂ­cia o poder de exigir que mascarados se identifiquem. Quem se recusar poderia ser levado a um local Ă  parte e liberado apĂłs a manifestação. No entanto, o assunto nĂŁo Ă© consenso entre os secretĂĄrios de Segurança. O Rio, por exemplo, defende veto total Ă s mĂĄscaras. Quanto a outro ponto polĂȘmico, o aviso prĂ©vio das manifestaçÔes, Cardozo sugeriu que tal exigĂȘncia sĂł ocorra em regiĂ”es onde possa haver tumultos, como na Avenida Paulista, em SĂŁo Paulo. Segundo o ministro, estuda-se "uma lei equilibrada, sem excessos, afirmada no contexto da democracia brasileira". Sobre o uso de balas de borracha por parte da polĂ­cia, o ministro defendeu o uso do recurso, considerando a "baixa letalidade", e ressaltou que as forças de segurança sĂł devem agir quando a situação se agrava. Ele ainda defendeu o aumento de penas para crimes ocorridos em manifestaçÔes, como dano ao patrimĂŽnio e lesĂŁo corporal, mas disse que hĂĄ aspectos delicados nos projetos de lei que visam a reduzir de trĂȘs para dois o nĂșmero de pessoas para que seja caracterizada a formação de quadrilha - o que atingiria diretamente os envolvidos na morte do cinegrafista. Durante o encontro de secretĂĄrios, o ministro da Justiça tambĂ©m defendeu um "regramento" nacional para atuação das PMs. "A proposta que fizemos Ă© justamente de termos uma indicação, uma orientação para atuação das nossas polĂ­cias. Para que a sociedade saiba como elas atuam, os parĂąmetros, os limites", explicou Cardozo.